Serasa registra novo recorde em agosto, mas o ritmo de alta é o menor do ano e as renegociações crescem 36%. Para quem tem valores a receber, a janela de acordo está aberta.
O Brasil fechou agosto de 2026 com 83,98 milhões de pessoas com contas em atraso, segundo o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa. É o maior número da série histórica. Olhando com atenção, porém, o levantamento traz uma notícia que interessa muito a quem tem dinheiro a receber.
A alta em relação a julho foi de apenas 0,06%, o menor avanço mensal do ano. E, no sentido contrário, a procura por acordos disparou. Entre maio e agosto, foram 19,7 milhões de renegociações, 36% a mais do que no mesmo período de 2025. O número de consumidores que buscaram regularizar alguma pendência subiu de 7,1 milhões para 9,4 milhões.
Uma década de dívida acumulada
O recorde não apareceu de repente. Em março, a Serasa divulgou um estudo sobre os dez anos do indicador mostrando que o total de inadimplentes cresceu 38% desde 2016 e que a dívida média por pessoa chegou a R$ 6.598, valor já corrigido pela inflação. Os juros ajudam a explicar o quadro. A Selic começou 2026 em 15% ao ano e vem sendo reduzida aos poucos desde março, mas continua na casa dos 14%.
Traduzindo para o dia a dia: são milhões de famílias com o orçamento apertado há muito tempo, decidindo todo mês qual conta pagar primeiro.
O que isso significa para quem cobra
Quando o devedor resolve negociar, ele quase nunca consegue quitar tudo de uma vez. Ele escolhe. E a escolha costuma favorecer quem aparece primeiro, com uma proposta que cabe no bolso e um caminho simples e confiável para pagar.
Isso muda a lógica da cobrança. O credor que espera a dívida envelhecer para agir ou que só aparece com ameaça e valor cheio, perde lugar na fila para quem chega cedo com uma conversa possível. O volume de renegociações dos últimos meses mostra que existe disposição do outro lado. A pergunta é quem vai aproveitar essa disposição.
Alguns cuidados fazem diferença nesse cenário: iniciar o contato logo nos primeiros dias de atraso, oferecer mais de um canal de atendimento, montar parcelamentos com base na realidade do cliente e facilitar o pagamento com Pix e links seguros. Parece simples, e é. Mas é exatamente o que separa uma carteira que se recupera de uma carteira que só acumula.
Três perguntas para o gestor fazer hoje
Quanto da minha carteira tem menos de 30 dias de atraso e ainda não recebeu nenhum contato? Meu cliente consegue pagar em poucos cliques, com segurança, no momento em que decide negociar? As propostas que ofereço foram pensadas para o orçamento de quem deve ou para a planilha de quem cobra? Se alguma dessas respostas incomodar, é ali que está o dinheiro parado.
Vale lembrar que acordo fechado ainda não é dinheiro no caixa. Acompanhar o pagamento das parcelas e agir rápido no primeiro atraso do acordo evita que todo o esforço de negociação se perca.
| Como a Web Cobranças enxerga O recorde de inadimplência não é motivo para endurecer a cobrança. É motivo para cobrar melhor. O devedor brasileiro está sobrecarregado e desconfiado, mas quer resolver. Nosso papel é oferecer a conversa mais clara, mais respeitosa e mais viável que ele vai ter naquele mês. É assim que a empresa credora sobe na lista de prioridades de quem deve. |
Quer entender o potencial de recuperação da sua carteira? Fale com a Web Cobranças.
Fontes
- Serasa, Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas, dados de agosto de 2026, conforme reportagem do SpaceMoney (setembro de 2026).
- Serasa, estudo 10 anos do Mapa da Inadimplência (março de 2026): serasa.com.br/imprensa/10-anos-do-mapa-de-inadimplencia
Banco Central do Brasil, decisões do Copom em 2026 (Selic de 15% em janeiro e cortes a partir de março).



