As escolas particulares entram na reta final de 2026 com o caixa mais pressionado. Uma pesquisa da Meira Fernandes Contabilidade e Gestão, feita entre junho e agosto com instituições que somam cerca de 120 mil alunos em oito estados, incluindo São Paulo, mostrou que 51,93% das escolas tiveram atrasos de pagamento entre 2% e 5% no primeiro semestre. No mesmo período de 2025, eram 46,59%.
O mesmo levantamento indica que 80,66% das escolas estimam reajustes entre 7% e 11% para 2027, e a inadimplência aparece entre os fatores que pressionam essa decisão. Do lado das famílias, o cenário também é apertado: em abril, 29,7% dos lares brasileiros tinham contas em atraso, segundo a CNC.
O que a lei permite e o que ela proíbe
A cobrança escolar tem regras próprias. A Lei 9.870/1999 proíbe que a escola suspenda provas, retenha documentos de transferência ou aplique qualquer penalidade pedagógica ao aluno por causa de inadimplência. Por outro lado, a lei garante a renovação da matrícula apenas para quem está em dia, o que faz do período de rematrícula um momento natural de regularização.
Soma-se a isso o Código de Defesa do Consumidor, que proíbe expor o devedor ao ridículo ou a qualquer tipo de constrangimento. Na escola, isso ganha um peso ainda maior, porque há uma criança ou um adolescente no meio da história.
Como aproveitar o segundo semestre
Esperar a rematrícula para descobrir quem está devendo costuma ser tarde demais. O ideal é iniciar as conversas antes, com propostas que permitam à família chegar em dia no momento da renovação. Separar a relação financeira da relação pedagógica, garantir discrição total e oferecer parcelamentos compatíveis com o orçamento são atitudes que preservam o aluno e a receita.
Para os contratos de 2027, vale considerar formas de pagamento que reduzam atrasos por esquecimento, como o Pix Automático, e deixar claras no contrato as condições em caso de atraso.
Um roteiro possível até a rematrícula
O fim do terceiro trimestre é um bom momento para mapear quem tem mensalidades em aberto e fazer um primeiro contato cordial, sempre com o responsável financeiro e nunca por meio do aluno. Nas semanas seguintes, a conversa pode evoluir para uma proposta de acordo que permita à família chegar em dia na renovação.
Para quem ainda não conseguiu regularizar, vale apresentar alternativas antes do fim do prazo de rematrícula, evitando que a família descubra a pendência só na hora de renovar. O calendário muda de escola para escola, mas a lógica é sempre a mesma: começar antes.
Como a Web Cobranças enxerga
Na escola, cobrar bem é proteger o vínculo com a família. A Web Cobranças acredita que a inadimplência escolar deve ser tratada com antecedência, discrição e respeito à legislação, porque a família que regulariza hoje é a mesma que renova no ano seguinte e indica a escola para os amigos.
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Fontes
• Meira Fernandes Contabilidade e Gestão, pesquisa com escolas particulares (junho a agosto de 2026), conforme Diário do Comércio.
• CNC, Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (abril de 2026), conforme Estado de Minas (julho de 2026).
• Lei 9.870/1999, artigos 5º e 6º; Código de Defesa do Consumidor, artigo 42.



